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domingo, 21 de junho de 2009

Diário de Rafaelle




"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."´
Fernando Pessoa


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Diários feitos à mão, em papel craft, com personagens criados para Fernando Pessoa e Cecília Meireles






























Diário - Homenagem à Cecília Meireles e Fernando Pessoa






Em carta de 1946 ao amigo poeta e ator Rui Affonso, Cecília dizia querer que a percebessem – “como uma criança antiga que a poesia de São Miguel no Açores nutriu, numa infância de sonho no regaço de uma avó dolorida, heróica e nobremente sentimental”.
Apesar das dolorosas circunstâncias ocorridas na infância de Cecília, ela lembrava sua infância de menina sozinha, que aprendia a cultivar como dons o silêncio e a solidão, como uma época maravilhosa – um fecundo tempo de aprendizado da realidade, o armazenamento de memórias, impressões e sensações que perdurariam, dando-lhe material de sua imensa obra (“Grande aula, a do silêncio”).
Em poesia, sintetizava:

‘É mal de família ser de areia, de água, de ilha”

Pessoa me fascina há tempos...através da expressão poética de sua luta interior, ao qual chamava "A Noite Escura da Alma" e depois ao se encontrar através do conhecimento teosófico, ele me encantou quando li seu prefácio na obra de Helena Blavatsk - A Voz do Silêncio.

Há dois anos, depois de já trabalhar com o personagem menina de Cora "Aninha", havia criado também os personagens meninos de Cecília Meireles e Fernando Pessoa, mas que ficaram engavetados este tempo todo, talvez respirando um pouco da solidão dos poetas no fundo de minha gaveta, até que me deparei com este desejo de Cecília de ser vista como uma “criança antiga”.
Então chegou a hora, pois sinto que eles me pedem para respirar novos ares e através desta ponte, eles nunca mais serão sós...






sábado, 21 de março de 2009



Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego.

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.


Fernando Pessoa - heterônimo Alberto Caeiro
Pintura de Matisse - Janela Aberta