segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Meu Querido Caderninho
Não faço cerimônia
Não sou um bom partido
Tendo para os vícios
Posso causar desgosto
Sou um pervertido
Livre leve e solto
Um vagabundo astuto
Um vira-lata escroto
Mas você pode se divertir
Mas você pode se divertir
Para conhecer melhor a relação do artista e seus cadernos de criação em plena era digital, acompanhe as respostas de alguns deles para as seguintes pergunta:
1. Para que você usa seu caderninho?
2. Quando e como começou a usar um caderninho de notas?
3. Onde você carrega seu caderninho? Que destino dá para os caderninhos lotados?
4. Ele é secreto? Você compartilha seu caderninho?
5. Seu caderninho é de grife? Você tem ou já teve um Moleskine?
6. Você usava diário na infância? Escreve diário atualmente? Alguém leu ou lê seu diário?
7. Você se modernizou? Acredita que o iPad ou similares podem substituir o caderninho?
8. Seus pais usavam caderno de notas?
9. Cite três funções para o caderninho além de escrever (ou desenhar).
MALLU MAGALHÃES – Moleskine já era chupeta. Nasceu junto com a memória. Mallu Magalhães, ou Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, 18 anos, é paulista, virginiana de 29 de agosto, cantora, compositora e instrumentista.
1. Para tudo, anotações das ideias que ficam zumbindo ao nosso ouvido, ou aquelas que vêm antes de dormir, ou mesmo mapas e telefones, contas, lembretes, sonhos... tudo.
2. Desde sempre. Não me lembro da minha existência sem um.
3. Coloco no bolso, ou na bolsa, ou até mesmo carrego nas mãos, se for coberto de capa sintética. Empilho os usados em lugares estratégicos, de acordo com minha vontade de revê-los ou não, ao longo do atelier.
4. Só algumas páginas. Compartilho apenas o indispensável, o lapidado, as frases boas, os desenhos bonitos.
5. Já tive muitas marcas. Lembro a primeira vez em que comprei um Moleskine, nem tinha nas livrarias, com temos hoje. Comprei numa papelaria e achei a coisa mais linda, um preto. Encontrei depois de muita pesquisa e ia lá todo mês, basicamente. Era caríssimo, mas valia cada página e cada passo ao lado dele.
6. Usava... fazia diário, álbum, scrapbook... tudo eu queria colar e cortar, e colar de novo, com alguma coisa em cima... Mas acabei abandonando o diário. Hoje tenho uma agenda que contém minha vida, minhas tabelas, meus planos, sonhos, objetivos, pensamentos, rascunhos de vestido, cenário, poema... E, claro, os compromissos e aniversários, em seus respectivos dias.
7. Não, e não. Apenas ampliei minha escrita, muitas vezes digito um texto já existente no meu blog, ou Twitter ou Facebook. Mas não, não há nada igual ao papel, nem ao lápis, nem ao pó que fica no dedo, nem ao suor que marca a capa, nem ao peso das letras da máquina de escrever. Venho achando, esses tempos, que o digital perde um tanto quanto da vida.
8. Não, minha mãe tem uns cadernos que ela usa para trabalhar, mas não carrega junto.
9. 1 – carregar; 2 – apertar; e 3- dar para alguém.
BEN TOUR – Artista plástico, de origem um pouco inglesa, um pouco irlandesa, um pouquinho alemã e francesa, de 30 anos, morador de Vancouver, Canadá.
3. Quando completos, guardo em uma caixa de armazenamento. Mas eu costumo voltar a eles de vez em quando, quando estou estagnado e preciso de alguma inspiração.
4. No passado, como havia um bom trabalho em muitos deles, eu partilhava os caderninhos entre os amigos. Mas, atualmente, contêm mais notas, arranhões e possíveis direções que eu poderia assumir.
7. Claro que sim. Eu sou apenas barato e prefiro papel. Eu não tenho o iPad, mas se a Apple quiser doar um para avançar o meu processo criativo, por favor, me escreva. Vou testá-lo e talvez converter. O caderno só parece mais espontâneo. Além disso, eu posso jogar o meu sketchbook na banheira e ele só vai parecer melhor.
9. Pintar! Colagem! Eu dobro recortes de jornais e, as imagens encontradas, eu as mantenho em meu caderno quando estou viajando; para a faculdade: na minha graduação da escola de arte, empilhei todos os cadernos abaixo de minhas pinturas, para que as pessoas pudessem ver o trabalho bruto e os exemplos de pensamento. É interessante ver a primeira marca que você faz para o desenvolvimento de uma imagem.
MÁRCIA TIBURI, ou Márcia Angelita Tiburi, nasceu em Vacaria (RS), em 6 de abril de 1970. É artista plástica, professora de Filosofia e escritora.
1. Pra desenhar, pra projetar meus livros, pra diário dos meus livros. Ali eu desabafo dos processos dolorosos da escrita.
2. Xi, acho que nasci usando, mas lembro que eles me ajudaram muito durante reuniões inúteis.
3. Eu levo na bolsa, no bolso, tenho vários que uso ao mesmo tempo. Em geral, escrevo vários, porque tem o do dia a dia, o de cada um dos livros que estou escrevendo (em geral um ensaio e um romance). E tem alguns destinados quase só a desenhar, começa assim, mas depois mistura tudo.
4. Tem os secretos e os do povo. Em geral, gosto que outros rabisquem neles.
5. Tenho vários Moleskines, mas também gosto dos Cíceros. O meu mais chique é um Johnsons and Relatives, que comprei no Il Papiro de Veneza.
6. Tive cadernos que valiam como diários. Alguns eu joguei fora. Minha mãe leu alguns, odiou... Atualmente, não escrevo em diários. Os caderninhos têm o papel de carregar as reminiscências.
7. Jamais. Heresia, loucura, demência! E os diversos grafites? E a diferença da tinta, das pontas, dos riscos praticamente tatuados?
8. Não, só caderneta das contas do mercado.
9. Construir a solidão; tornar-se criança; e guardar a magia que ninguém que não tenha caderninhos entenderá...
EDUARDO NASI – Natural de Porto Alegre (RS), 34 anos, jornalista e publicitário radicado em SP. “Os caderninhos são meu molho de chaves da terceira dimensão.” Conserva notas, cartão de crédito, desenhos e listas sob o elástico.
1. A primeira coisa que eu tenho de dizer é o contexto em que esses caderninhos se encaixam, que, hoje, é um contexto de celular, de blog, de Twitter, de BlackBerry, de netbooks, de Kindle. E aí é muito fácil registrar tanto o que vemos no mundo quanto o que criamos num mundo de mobilidade. Com a tecnologia, dá para fotografar, escrever, fazer anotações em livros, agendar compromissos... Ao mesmo tempo, ainda tenho uma dezena de cadernos em andamento aqui em casa. Não caderninhos: cadernos. Num tem um projeto imenso que estou criando aos poucos. Noutro, com papel mais grosso, tem umas tentativas de aquarela. Noutro tem as anotações de trabalho (eu misturava uma época, até que me dei conta de que o trabalho é regido por uma confidencialidade diferente). Noutro, maior, há desenhos grandes, bem melhores que nos pequenos. Há outro que eu mesmo fiz, com uma capa de papelão e um miolo de papel de rascunho, que era mais rascunhável também. O que os caderninhos são, pra mim, é uma versão portátil desses cadernos maiores e cheios de especificidades. São menores, misturam tudo, não seguem regras.
2. No formato portátil, quando eu vi os filmes do Indiana Jones. Acho que tinha uns 10 ou 12 anos, e o Indiana Jones anotava todas as suas descobertas no caderno, então eu decidi ter um também. Logo descobri que a vida do Indiana Jones rendia cadernos mais interessantes, então, abandonei a ideia e retomei quando estava no jornalismo, naquela ideia de que jornalista sempre tem que ter papel e caneta com ele, não importa onde ele esteja.
3. No bolso, na mochila. Levo até quando vou ao supermercado. Ficam aqui no escritório, com outros cadernos. Algumas páginas de desenho vão pro Flickr.
4. Não é secreto, mas é íntimo. Então, eu não gosto de exibi-lo abertamente a alguém que acabei de conhecer ou que não é muito próximo e, em alguns momentos, hesito até mesmo com gente bem próxima.
5. O atual, por acaso, é e muitos são, porque o Moleskine tem mesmo um acabamento ótimo e um papel de boa qualidade. Uso às vezes caderninhos de museus mesmo, hà vezes em que ganho de brinde. Mas já usei até aqueles caderninhos de armazém bem vagabundos, que custam 1 real.
6. Na adolescência, sim. Mas, em 2001, eu já escrevia muito raramente e aí comecei meu blog e nunca retomei os diários – mesmo que blogs e diários tenham funções bem diferentes pra mim. Oficialmente, ninguém podia lê-los, mas uma vez esqueci no colégio. Nunca ninguém confessou, mas acho que alguém deve ter lido, porque adolescentes não costumam resistir a esse tipo de coisa. De qualquer maneira, meu maior segredo na época era que eu gostava de uma menina chamada Mariane.
7. Eu acho que não o iPad, que tá mais pra cadernão. Mas o celular cumpre esse papel com vantagens. Mesmo nos modelos mais simples, milhões de pessoas registram seu cotidiano com fotos, SMS, anotações, músicas, gravações... É diferente, é outro registro, mas tenho a impressão de que o celular assume, sim, as funções emocionais de um caderninho: registra a vida, permite criar, está sempre por perto, é meio companheiro. Pensando assim, nunca houve tanta gente com caderninhos – alguns deles só mudaram de formato. Aliás: será que é coincidência que os caderninhos de papel estão tão em moda?
8. Que eu saiba, não.
9. Ah, eu uso até como carteira, pra levar um pouco de dinheiro, identidade e um cartão de crédito naqueles bolsos que alguns cadernos têm no fundo. Também como porta-cartões. E pra guardar ingressos de cinema.
L. FILIPE DOS SANTOS – O “Corcoise”. Nasceu no verão de 1978 em Portugal e cresceu em área rural. Passou por Madrid, voltou a Lisboa, onde está. Aos 16 anos, começou a desenhar para expressar-se ou expressar alguma coisa. Esqueceu o que queria expressar, mas segue desenhando.
1. Uso, na maior parte das vezes, para desenhar apenas. Sempre que me aborreço (enquanto aguardo um transporte público, sobretudo), pego num lápis, abro o meu caderninho e entretenho-me a esboçar algo descompromissadamente, apenas para passar o tempo. Mas, além de desenhos, também se pode encontrar nele uma amálgama de notas: desde listas de compras a cifras e acordes de guitarra, passando por um sem-fim de poemas medíocres.
2. Não consigo lembrar com exatidão, mas desde muito novinho. Arriscaria dizer que desde os meus 11 ou 12 anos. Lembro-me de que os cadernos, que supunha serem usados para anotar as matérias que aprendia na escola, eram vergonhosamente devassados por desenhos de super-heróis e monstros (muitos deles suspeitosamente parecidos com alguns professores meus).
3. Ando sempre acompanhado por dois ou três caderninhos e um monte de lápis de cor, seja em casa ou na rua. A maior parte deles acaba arquivado num cemitério de caderninhos, muitos não abro faz anos.
4. Em muitos casos, creio que deveria ser secreto, porque, por vezes, podem ser encontradas coisas bastante pessoais, mas, como tenho pouca vergonha na cara, acabo mostrando sempre a toda a gente.
5. Curiosamente, apesar de nunca ter comprado nenhum, possuo já uma respeitável coleção de Moleskines. Há sempre alguém que me oferece algum pelo aniversário ou Natal. Mas eu próprio prefiro comprar outras marcas bem mais baratas, porque, assim, não sinto o peso da responsabilidade de preencher cada página com algo realmente digno de lá ficar registrado.
6. Aquilo que se considera um diário de verdade, acho que nunca tive. Sou demasiado torpe ou impulsivo para manter a organização que um diário exige. Apesar de usar diariamente os meus caderninhos...
7. Até agora ainda não possuo nenhum desses objetos modernos, mas ficaria muito feliz se no próximo Natal alguém se lembrasse de me oferecer um iPad, em vez de mais um Moleskine. Contudo, pelo menos para mim, jamais iria ser um substituto de um caderninho.
8. Sim. Aliás, o meu avô já usava. Mas apenas como acessório das suas respectivas profissões.
9. Gosto muito de fazer origamis. Frequentemente, rasgo uma página para me entreter dobrando um animal qualquer de papel. Também uso muito os meus caderninhos para secar e arquivar folhas de plantas. Mas, muitas das vezes, a melhor função dos meus caderninhos é tornar numa mesa estável uma mesa com uma das pernas mais curta.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
L' Imperatore

Tarô IV Imperador
“Bem diga o trabalho de tuas mãos e no do pensamento coloque o coração...”
Aproveito para postar aqui o excelente texto de meu amigo Emanuel do Conversas Cartomânticas, no Clube do Tarô sobre "O Ano do Imperador". Leia aqui.
OBRIGADA EMANUEL!!
"Livros de Luz" de Patrícia * O Anjo *

No silêncio e na quietude da chama da minha alma,
Que eu possa ouvir o eco desta Magia que acalma,
Que as vozes ao meu redor irradiem luz e amor,
Que eu descubra seu sentido e aprenda a ouvir o seu clamor,
Quando minha voz interior falar,
Deixe-me ouvir o que ela tem a dizer,
Quando meus anjos estiverem perto de mim
Deixe-me sentir seu imenso poder.
Que se desvendem os véus ó minha Senhora,
Que eu caminhe com os anjos e possa senti-los
A cada momento e a toda hora!
"Livros de Luz" de Patrícia * O SOL *
Álbum de João Pedro

"Vês, lá longe, o campo de trigo? (...)
O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste!
Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiverdes cativado.
O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti.
E eu amarei o barulho do vento no trigo..."
Antoine de Saint-Exupèry